O ano era 1985. O mundo da informática no Brasil era um faroeste, e a minha arma era dois CP300, um “Gedai” e o Sonho do Wi-Fi Antes do Tempo.
Tudo começou com o MC-1000 da CCE. Aquele não foi apenas meu primeiro computador; foi meu portal para um universo novo. Ligado na TV via sinal de VHF (quem lembra da briga para sintonizar o canal 3?), ele transformava minha sala em um laboratório. Não existia Google, não existia Stack Overflow. A “ajuda” vinha impressa em papel, nas páginas de revistas de informática que traziam códigos infinitos.
Eu passava tardes inteiras digitando linhas e mais linhas, copiando cada caractere com a precisão de um cirurgião. Um erro de sintaxe e bum: horas de trabalho perdidas. Mas quando o jogo rodava? A sensação era de ter descoberto o fogo.
Logo, o MC-1000 deu lugar a uma troca estratégica: veio o CP300 . Uma máquina robusta, com seu lendário gravador de fita cassete. Ouvir o screech dos dados sendo carregados (piiii-crrrr-piiii) era a música do progresso.
Nessa época, as revistas eram nossas bíblias, geralmente da Prológica. Elas traziam muita informação sobre a tecnologia mundial, reviews e, o mais importante: as correções. Às vezes, o código de um jogo vinha com erro de digitação na revista anterior, e eles lançavam a atualização na edição seguinte para o jogo rodar.
Para nós, aquilo era pura diversão, mas no fundo, estava moldando nosso cérebro. Ajudava no raciocínio lógico. Foi assim que fomos aprendendo a teclar, digitando, copiando e errando. Lembro que havia uma seção que ensinava pequenos programas, o básico da programação. E assim, fomos aprendendo de tudo um pouco.
Mas a operação não era simples. Gravar um programa de jogo era difícil e demorado. Exigia encontrar o “ponto certo” da fita cassete. Para recuperar os dados para dentro do terminal, o ritual era tenso: colocar a fita, dar o comando no CP300 (tipo “busque tal jogo”), ligar o play do gravador e torcer.
O volume tinha que estar exatamente em 30% e o modo “grave” ativado para obter uma boa qualidade de leitura. Levava em torno de uma hora para carregar um jogo específico. Qualquer falha no meio do caminho significava trabalho perdido.
É engraçado pensar nisso hoje, quando podemos transferir gigabytes em segundos usando um SSD externo moderno e super rápido que cabe no bolso, em vez daquelas fitas barulhentas.
Mas a grande história dessa época não foi apenas sobre o hardware, e sim sobre a amizade.
Eu tinha um amigo, o Gediel. Eu o chamava de “Gedi”, e às vezes brincava chamando-o de “Gedai”, por causa dos Cavaleiros Jedi do filme Guerra nas Estrelas. O Gediel sabia um pouco mais que eu na parte eletrônica. Lembro de um dia em que meu CP300 estragou. O mundo caiu para mim, mas o “Gedai” entrou em ação: ele sabia soldar, encontrou o capacitor que havia queimado e fez a troca. Quando o meu CP300 voltou a funcionar a todo vapor, cada vitória dessas a gente comemorava como um título.

Um dia, decidimos fazer algo inédito: colocamos as duas máquinas lado a lado na sala da minha casa. Dois terminais, dois garotos e uma imaginação que não cabia naquelas memórias de poucos KBs.
Olhávamos para aquelas telas e viajávamos. “E se…”, pensávamos, “e se a gente conseguisse ligar um no outro? Não por fios, mas por rádio?”.
Ali, na mesa daquela sala em 1985, sem saber, nós estávamos sonhando com o Wi-Fi. A tecnologia da época não permitia, éramos limitados pelo hardware, mas não pela visão. A gente sentia que, um dia, os computadores iriam conversar pelo ar.
Infelizmente, a vida nos levou para caminhos diferentes. Fui para o Exército e nunca mais nos encontramos. Não sei onde ele mora hoje, nem se trabalha com informática. É uma pena, pois tenho certeza de que teríamos “arrebentado” juntos nessa área.
Depois do Exército, precisei trabalhar e acabei virando vigilante. Foram anos dedicados à segurança, mas sempre mantive aceso aquele sonho de fazer algo na área de programação ou técnica de informática.
…Aquele menino da sala de 1985 nunca foi embora. Se você também sente saudade dessa época de 8-bits, hoje não precisamos mais de fitas K7. Existem consoles retrô modernos que já vêm com milhares desses jogos clássicos na memória, prontos para ligar na TV HDMI.
Hoje, estou começando a realizar esses sonhos. Quando configuro servidores na nuvem e gerencio redes complexas, às vezes fecho os olhos e ainda vejo aqueles dois CP300 lado a lado e lembro do capacitor trocado pelo meu amigo. A tecnologia mudou, a tela preta evoluiu, mas a essência continua a mesma: a vontade de conectar o impossível.
Saiba que nunca é tarde para começar. Por isso, comece já.
CP300
“A nostalgia é ótima, mas a velocidade é essencial. Dhttps://amzn.to/4jluauXeixe as fitas K7 no passado e carregue seu mundo em segundos clicando aqui.“
“Se você, assim como eu, gosta de jogos antigos do tipo retrô, então reviva aquele tempo reviva aqueles jogos com a tecnologia atual, clique aqui e veja a velocidade dos jogos.
