Temporada: 01 Ep.: 01 Parte: 02
Por Fernando (O Analista)
Se na primeira parte do episódio Patrick Jane nos mostrou como ler pessoas, nesta segunda metade “A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário” ele nos ensina uma lição ainda mais valiosa: como identificar um imitador.
O caso principal do episódio A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário, envolve um assassinato duplo em Palm Springs que grita “Red John”. Temos a carinha sorridente na parede, sangue para todo lado e uma atmosfera de terror. Mas Jane, mesmo suspenso (e ignorando completamente a autoridade da Lisbon), entra na cena e desmonta tudo em segundos.
A Cena Marcante: O Embate com o Perito “Irritante”
A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário
Lembro-me muito bem desse detalhe. O perito forense em questão é Brett Partridge (guardem esse nome/rosto, ele é obcecado pela morbidez dos crimes de Red John).
Partridge está quase excitado descrevendo a “arte” do assassinato, tratando a cena como uma obra-prima do serial killer. Jane entra e imediatamente o corta. A dinâmica aqui é genial: Jane acha Partridge “irritante” porque o perito olha para a morte com fascínio mórbido, enquanto Jane olha com praticidade humana. Ele chama Partridge de “vampiro” (ghoul) e desmonta a teoria dele na frente de todos.
A Análise Psicológica: O “Showman” vs. O Amador
A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário
Aqui está a “sacada genial” sobre a pintura na parede. É uma aula de perfil criminal:
- A Assinatura Invertida: Jane percebe que a carinha sorridente foi pintada em um local onde só seria vista depois que a pessoa visse o corpo.
- A Lógica de Red John: Jane explica que Red John é, acima de tudo, um “artista” doentio e um showman. Ele quer que você sinta o medo antes do horror. Ele pintaria o rosto na entrada, para você ver o sorriso macabro e saber o que te espera. O assassino deste episódio (o imitador) fez o contrário: matou e depois “assinou” para despistar.
- Leitura Fria no Médico: Jane foca sua atenção no Dr. Linus Wagner. Por que? Porque ele parecia muito prestativo, muito calmo. Jane percebeu a arrogância intelectual nele – o mesmo tipo de arrogância que Jane possui. Reconhecimento de padrão.
“A ficção do Red John assusta, A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário é só mais um episódio, mas a realidade dos serial killers é ainda mais fria e calculista. Se você tem estômago para entender como a mente desses predadores realmente funciona (sem os filtros de Hollywood), o manual definitivo que inspirou os perfis criminais é o Mindhunter.”
O Grande Truque: A Armadilha do Diário
A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário
Como pegar um homem inteligente que não deixou provas físicas? Plantando uma mentira.
Você descreveu perfeitamente a armadilha. Jane sabe que o Dr. Wagner é o assassino, mas não pode provar. Então, ele usa a vaidade e o medo do médico contra ele.
- Jane “inventa” um diário da vítima.
- Ele deixa escapar (propositalmente) que a vítima escreveu detalhes comprometedores sobre o médico nesse diário que estaria na sala de espera.
- É um blefe clássico. Um inocente não se preocuparia com um diário. Apenas o culpado correria o risco de roubá-lo para destruir a prova.

O clímax do episódio é uma verdadeira aula magna de manipulação de Patrick Jane. Tudo começa na despedida aparentemente cordial na porta do prédio: num lance de predestinação, Jane, com suas habilidades, escamoteia o cartão de acesso do Dr. Wagner sem que ele perceba.
O retorno de Jane ao prédio, sob a desculpa esfarrapada de ter esquecido o celular, serve apenas para encurralar o médico. Jane o surpreende revirando o consultório atrás do diário—um item que Jane, obviamente, já sabia onde estava e faz questão de “encontrar” primeiro, declarando-o evidência policial.
A armadilha se fecha quando voltam à sala principal para buscar o tal celular. Wagner, acuado, saca uma arma. Jane, sempre um passo à frente, já havia enviado um SMS tático para Rigsby. Uma corrida estratégica pelo corredor leva o desesperado doutor direto para os braços da equipe da CBI no saguão.
Quando Rigsby algema o médico, a expressão de pura satisfação no rosto de Jane é impagável. Ele provou seu ponto: para pegar um assassino, ele não precisou de DNA ou impressões digitais; ele precisou apenas entender a natureza humana (e usar alguns truques de mágica).
Curiosidades e Detalhes Ocultos
A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário
- O “Irmão do Marido”: Você mencionou o irmão e o caso extraconjugal. No episódio, há de fato uma trama complexa de traição e dinheiro envolvendo a família, que serviu perfeitamente como cortina de fumaça para o médico agir. O médico matou para encobrir seus próprios erros/crimes sexuais, mas tentou jogar a culpa na dinâmica familiar conturbada e no Red John.
- A “Suspensão” de Jane: Note que durante todo o episódio a Lisbon diz que ele está suspenso, mas ela nunca o impede de verdade. Desde o piloto, fica claro: ela sabe que precisa dele, por mais que ele a enlouqueça.
- O Origami: Em um momento sutil, Jane faz um sapinho de papel. É um detalhe que mostra como ele está sempre com as mãos ocupadas, manipulando o ambiente físico assim como manipula o psicológico.
Conclusão: A Farsa do Red John e a Armadilha do Diário
O episódio termina com um gosto agridoce. O caso foi resolvido, o Dr. Wagner foi preso, mas o verdadeiro Red John continua à solta.
“Ironicamente, ao solucionar este caso com seu brilhantismo habitual, Jane acabou inocentando Red John destas mortes específicas. Mas não se enganem: a caçada ao verdadeiro monstro que destruiu sua família está apenas começando, e longe de um desfecho.”
A mensagem final de Patrick Jane ao desmascarar o imitador é um aviso para o verdadeiro assassino: Jane conhece a mente de Red John melhor do que ninguém. Ele sabe a diferença entre a “arte” do monstro e a cópia barata. A caçada apenas começou.
🧠 Saia da ficção: Tenha acesso aos arquivos reais do FBI e entre na mente dos caçadores de serial killers. Ler Mindhunter Agora.
